REVIEW | The Awakening, Kate Chopin

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Título: The Awakening
Autor: Kate Chopin
Ano de Publicação: 1899
Sinopse: Over one long, languid summer Edna Pontellier, fettered by marriage and motherhood, gradually awakens to her individuality and sexuality and experiences love outside of her passionless marriage. But as she discovers emotional freedom, so she comes to realize the true extent of her psychological and social confinement, and its terrible consequences for her future. This tender, brilliant, seductive, and devastating novel is as beautifully written as it is politically engaging. The Awakening is as relevant today as when it was first published two centuries ago. (fonte)

She could only realize that she herself – her present self – was in some way different from the other self. That she was seeing with different eyes and making the acquaintance of new conditions in herself that colored and changed her environment, she did not yet suspect.

O que fazer quando a noção de que a vida deveria ser mais do que aquilo que realmente é surge no nosso ser? Kate Chopin, no seu segundo romance, dá-nos a conhecer a viagem de Edna Pontellier para dentro de si própria e, posteriormente, para o mundo em seu redor.

Aos olhos da sociedade dos finais dos anos 1800s, estando casada e com dois filhos, Edna Pontellier vive o exponente máximo de felicidade que uma mulher pode alcançar. Contudo, Edna descobre que quer mais do que a vida monótona e rotineira proporcionada pelo casamento e a maternidade.

A transformação sucede lentamente ao longos dos dias na casa de férias. O seu exterior continua a conformar-se enquanto o seu interior sente, questiona e revolta-se até ao momento fulcral quando aprende, não só a nadar, mas especialmente a força da sua alma. Tal como uma criança que vê o mundo pela primeira vez, Edna “acorda” de um mundo entorpecido e limitado por regras ditadas pela sociedade para um mundo onde reina a sua liberdade e independência. O renascimento de Edna no mar quebra as correntes invisíveis que a tornam propriedade do marido e da sociedade, proporcionando-lhe uma descoberta de si própria como ser individual e sexual; daquilo que pode ser se largar o papel ficcional que é esperado dela. Edna torna-se na “soul that dares and defies” ao ceder aos seus desejos e vontades. Porém, a sua luta constante torna-se psicologicamente extenuante dando ao leitor a visão depressiva do poder que a opressão tem nas suas vítimas, pois por mais que se esforce, a sociedade onde vive não tem um lugar para ela. Será o seu desfecho o último golpe contra uma sociedade patriarcal, a libertação final das suas garras ou a desistência de uma luta que parece interminável, o término de uma vida de solidão? Na realidade, Edna até ao momento da sua morte tem controlo sobre aquilo por que tanto lutou: de si própria, ficando apenas uma solução para esta questão.

I would give up the unessential; I would give up my money, I would give up my life for my children; but I wouldn’t give myself. I can’t make it more clear; it’s only something I am beginning to comprehend, which is revealing itself to me.

O “acordar espiritual” de Edna Pontellier é um pilar na literatura feminista. Curto, mas com um estilo descritivo que não se torna denso (até se pode dizer que flui como as águas do mar onde Edna renasceu), The Awakening, com temas como os papéis de género e expectativas impostas pelos mesmos, o preconceito, ser verdadeiro consigo próprio e pressões da sociedade, continua a ser relevante nos dias de hoje. Ainda existem Ednas pelo mundo fora a serem criticadas por não quererem criar uma família, serem más figuras maternais por não ficarem em casa todos os dias com os filhos, quando ninguém critica a figura paternal. Os double standards continuam a existir, esquecendo-se que as mulheres, para além de serem mães ou esposas, são primeiramente seres humanos individuais com os mesmos direitos de escolha e necessidades.

Com as suas 290 páginas, The Awakening é um livro com um poder tremendo nas suas palavras que não deixam o leitor indiferente.

★★★★☆

Roslin

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2 thoughts on “REVIEW | The Awakening, Kate Chopin

  1. É incrível como em 1899 foi lançado um livro que explora mais profundamente os limites impostos às mulheres pela sociedade do que livros lançados hoje em dia. É incrível como muitos dos limites e imposições exploradas no livro ainda se aplicam hoje em dia apesar de, à primeira vista, parecerem ultrapassadas. É incrível que uma personagem como a Edna Pontellier exista na literatura, um meio onde as mães que estão dispostas a sacrificar tudo pelos seus filhos são elogiadas devido a essa sua qualidade considerada positiva e repudiadas quando o não estão. É TUDO INCRÍVEL, PRINCIPALMENTE ESSA REVIEW.

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    1. Passou quase uma semana desde que terminei o livro e, para além de só ter arrumado ontem na prateleira, ainda estou a pensar nele, a ter monólogos sobre ele. Há livros que só dão vontade de discutir (amigavelmente) com outras pessoas. Este é um deles. The Awakening tem 116 anos e o facto de ainda ser relevante para os dias de hoje torna-o assustador. Incrível, claro, tal como disseste, mas assustador também.

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