REVIEW | The Help, Kathryn Stockett

help
Título:
 The Help
Autor: Kathryn Stockett
Ano de Publicação: 2009
Sinopse: The wildly popular New York Times bestseller and reading group favorite. Aibileen is a black maid in 1962 Jackson, Mississippi, who’s always taken orders quietly, but lately she’s unable to hold her bitterness back. Her friend Minny has never held her tongue but now must somehow keep secrets about her employer that leave her speechless. White socialite Skeeter just graduated college. She’s full of ambition, but without a husband, she’s considered a failure. Together, these seemingly different women join together to write a tell-all book about work as a black maid in the South, that could forever alter their destinies and the life of a small town… (fonte)

Imaginem o seguinte cenário: Estados Unidos da América, anos 60, estado do Mississípi, mais propriamente em Jackson. Estamos no período em que a questão da raça e da igualdade entre brancos e negros se torna o assunto principal de todas as conversas. Estamos na altura da marcha de Martin Luther King, quando todos sabem ou sentem que algo tem de e vai mudar.

Esta é a premissa para o romance de estreia de Kathryn Stockett, The Help, publicado em 2009. Apesar de não se focar propriamente no activismo, o foco principal são as criadas das famílias brancas em Jackson e como todas estas mudanças sociais vão ocorrendo à sua volta e até dentro delas próprias. O mais interessante é ver as barreiras mentais das próprias mulheres negras serem quebradas quando percebem que são iguais às mulheres brancas, que nada as separa ou difere delas excepto o seu tom de pele mas que isso, só por si, não é negativo ou mau.

É um retrato daquilo que foi, não só uma profissão, mas uma vida que tantas mulheres viveram, no mundo que sempre conheceram como separado entre as senhoras brancas e as criadas negras onde era mais do que natural ver os negros a servir os brancos. São histórias de sofrimento, injustiça mas também de amor, que por vezes são tão profundas, que emocionam.

A narrativa do livro é quase um movimento de inception. Temos um livro sobre uma personagem que por sua vez escreve outro livro sobre a sua vida e a de outras mulheres. Skeeter/Eugenia Phelan é uma jovem rapariga, recém-licenciada, com quem nos é fácil simpatizar. Apesar de parecer adaptada a Jackson e às suas amigas, é óbvio que Skeeter pertence a todo um outro mundo de moralidades e mentalidades. Por isso não é por acaso que é dela que parte o projecto de tornar as histórias de várias criadas num livro.

Apesar de Skeeter ser uma das protagonistas e um excelente exemplo do oposto da ‘típica’ senhora branca, como Hilly Holbrook, existem outras duas mulheres cujas narrativas estão ligadas e são importantes para a concepção do livro: Aibileen e Minny. Ambas são criadas e amigas de longa data, cada uma com a sua história. Elas são as duas primeiras criadas que contribuem para o livro, Aibileen até escreve as suas próprias histórias e, mais tarde, Minny vai ser o veículo para que Skeeter possa ter o número suficiente de entrevistas para terminar o livro.

Aibee é uma das mulheres com mais carga emocional do livro. Após ter criado o filho sozinha, assiste à sua morte e é, provavelmente, a maior e melhor figura maternal da história. É conhecida por criar bebés brancos mas, como ela admite, tenta ensinar os “seus bebés” (como ela lhes chama) a amarem-se a si mesmos e ao próximo, influenciada tanto pela sua fé religiosa como pelas suas experiências de vida, não querendo que nenhuma daquelas crianças fosse como os pais e tratasse os negros de forma inferior aos brancos.

Já Minny é um símbolo da sobrevivência. É uma mulher com uma personalidade forte, admitindo que é respondona o que sempre a prejudicou para ter um emprego fixo. Não obstante ser divertida e diferente, é através desta personagem que se aborda a questão da violência doméstica no ambiente familiar. Minny não é só uma criada negra. É mãe, amiga, vítima mas, acima de tudo, uma lutadora. Salva-se a si e aos outros, fazendo tudo para proteger aqueles que lhe são mais próximos apesar de isso poder trazer grande perigo para ela.

The Help, apesar das suas respeitosas 626 páginas, é um livro cativante e que não nos deixa pousá-lo por um segundo. Ao contrário do que estamos habituados, somos apresentados a um “woman’s world” do qual sabemos pouco e as surpresas são muitas. Desde situações caricatas a situações que nos fazem pensar “Como é possível termos sido assim há menos de 100 anos atrás?”. Esta pergunta é particularmente assustadora mas, ainda assim, há muitas lições importantes a retirar não só sobre o racismo e a igualdade entre brancos e negros mas também sobre as relações sociais, o papel da mulher e sobre o facto de podermos ter recomeços em qualquer idade ou altura da nossa vida.

Para os mais curiosos, a adaptação cinematográfica de 2011 com o mesmo nome vale a pena ver. Existem algumas mudanças, que podem compreender ser necessárias para um efeito mais dramático e de Hollywood, mas no geral a essência está lá. Além disso quem não quer ver Viola Davis e Octavia Spencer como as besties Aibee e Minny?

★★★★★

Ms. Brightside

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