REVIEW | Soaked in Bleach & Cobain: Montage of Heck

kurt

Kurt Cobain é uma figura inesquecível, controversa e mítica não só por ter sido o vocalista dos Nirvana, pelo seu estilo de vida ou por ter composto músicas que ainda hoje são famosas mas, infelizmente, também pela forma como faleceu. Eu sei que vão perceber que, obviamente, eu não vivi nesta época áurea mas sou fã dos Nirvana e de outros bandas da altura já há muitos anos e, por isso, é normal que acabe por ter curiosidade e vejo os concertos ao vivo, documentários e até o Unplugged destes artistas.

Toda a figura que se construiu (e ainda constrói) à volta do Kurt é algo que sempre foi apelativo para mim. Sempre gostei do estilo dele, das músicas que compôs e, apesar de tudo, se há uma coisa que eu admiro e gosto muito em relação a ele, é o amor que ele sempre teve pela filha Frances. Tirando a Frances, não me quero alongar muito mais no que toca à vida pessoal de Cobain, especialmente no que diz respeito à Courtney Love porque nunca haverá um consenso e todos têm uma opinião sobre a senhora. Como gosto do Kurt, fico-me só por falar nele e isso basta-me para o post de hoje.

Quando soube que dois documentários iam estrear em 2015 sobre o Kurt, fiquei imediatamente curiosa com o que estaria para vir. O primeiro que vi foi Soaked in Bleach de Benjamin Statler.

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Fiquei surpreendida porque não esperava ver um policial e foi isso que senti que me foi apresentado. Todo o documentário está recheado de entrevistas com especialistas e com encenações de factos supostamente reais dos últimos dias do Kurt. É baseado no depoimento de Tom Grant, um detective privado que Courtney Love contratou para investigar o desaparecimento de Kurt, pouco antes do cantor ser encontrado morto.

Todo o material do detective privado é utilizado, até a gravação das chamadas entre ele e Courtney, com o objectivo de reconstituir os últimos dias de Kurt Cobain e tentar levantar a hipótese de não se estar perante um suicídio como foi declarado na altura quando a polícia de Seattle investigou e encerrou o caso. Ou seja, é basicamente um documentário que explora uma das mais famosas teoria da conspiração de sempre: Kurt Cobain foi morto ou suicidou-se?

Muitas pessoas acreditam no suicídio, outras tantas clamam que Courtney Love esteve envolvida de alguma maneira e que Kurt foi morto. É este o ponto-de-vista que o documentário vai sublinhando de uma maneira muito discreta. Daí, no final, vários dos intervenientes apelarem à polícia de Seattle para reabrir o caso e tornar todas as provas públicas para que se possam confirmar certos detalhes que, conforme é mostrado, não fazem sentido. Como podem calcular, claro que a Courtney não apoia este documentário e defende que é falso, o que provavelmente vai contribuir para que seja visto por bastantes pessoas de qualquer das formas.

Pessoalmente, acabei por não gostar muito do documentário. Percebo o porquê de ter sido feito e compreendo que existam pessoas que ainda se debatem sobre a morte de Kurt mas, para mim, há outras coisas que prefiro ver e nisso, Cobain: Montage of Heck, acabou por me conquistar mais.

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Realizado por Brett Morgen, o documentário é a montagem literal de várias gravações pessoais cedidas pela família de Cobain, em conjunto com, entrevistas e pequenas animações de forma a dar um panorama geral da vida do artista. Desde a sua infância em Aberdeen até ao início dos Nirvana, o documentário conta também com pequenos depoimentos de pessoas que fizeram parte da vida de Kurt, desde amigos de infância, a Courtney Love, entre outros.

Se repararem o documentário é “autorizado” portanto apenas se limita a mostrar as várias fases da vida de Kurt através das tais gravações que já mencionei e também de fotografias. Confesso que aquilo que mais gostei foi mesmo das gravações que para mim foram uma surpresa porque dispensam a necessidade de um narrador. É ver a vida de Kurt Cobain a passar enquanto parecemos invadir um território que não nos pertence mas que mesmo assim nos é dado a conhecer. É um documentário muito pessoal e prima por isso. Não sei o que o Kurt teria achado dele mas sem dúvida que abre as portas da casa e da vida de uma pessoa que marcou toda uma geração.

Ver Kurt em pequenino e depois já em adulto com a filha Frances é algo que me emociona e foi, admito, aquilo que mais gostei de longe. Por muito que digam que ele não estava bem e com tendências suicidas, ver estas gravações em particular fez-me sentir alguma felicidade mas não vos sei explicar melhor. Acaba por ser uma felicidade algo estranha. Mesmo que o Kurt tenha tido momentos terríveis, ao menos ali foi feliz, nem que seja por algum tempo.

Ms. Brightside

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