REVIEW | Stoner, John Williams

stoner
Título
: Stoner
Autor: John Williams
Ano de publicação: 1965
Sinopse: William Stoner enters the University of Missouri at nineteen to study agriculture. A seminar on English literature changes his life, and he never returns to work on his father’s farm. Stoner becomes a teacher. He marries the wrong woman. His life is quiet, and after his death his colleagues remember him rarely.
Yet with truthfulness, compassion and intense power, this novel uncovers a story of universal value. Stoner tells of the conflicts, defeats and victories of the human race that pass unrecorded by history, and reclaims the significance of an individual life. A reading experience like no other, itself a paean to the power of literature, it is a novel to be savoured. (fonte)

Cinquenta anos depois da primeira publicação, Stoner de John Williams parece finalmente ter chegado para ficar. Como se diz “mais vale tarde do que nunca” e talvez tenha sido preciso todo este tempo para que este livro encontre leitores que o apreciem como Williams pretendia.

Desde o início não sabia que expectativas ter em relação ao enredo ou ao tipo de história que me esperava. Sobretudo sentia curiosidade perante este livro e de porquê nunca ter ouvido falar nele antes, daí ter decidido lê-lo sem mais hesitações.

Só vos posso dizer que foi uma surpresa a vários níveis. Talvez mesmo a todos os níveis. Há muito anos que não lia um livro tão directo (ou literalmente straight forward) como Stoner, em que a própria personagem principal, William Stoner, é quase um homem transparente mas também infinitamente complexo. Quando digo directo, estou a referir-me à forma como Williams escreve. São frases curtas, simples e que vão directas ao assunto nos momentos cruciais da narrativa. Por vezes dei por mim a ter de reler certas partes porque alguns factos acontecem tão de repente que mudam totalmente o rumo da história em quatro ou cinco palavras. Eu acho isto incrível. É uma arte e um poder que Williams domina. Consegue equilibrar um ritmo mais lento, com descrições longas sobre, por exemplo, a vida de Stoner enquanto professor universitário, com a introdução de frases curtas e concisas que mudam tudo e quebram o ritmo lento que se instalara.

Em relação ao enredo, Stoner não é extraordinário. Na minha opinião é banal e sobre um homem que encontra a sua paixão profissional mas que também se apaixona por uma mulher. No entanto, Stoner é real e palpável. Nada é romantizado ou idealizado, daí que por vezes possa parecer um pouco deprimente mas acaba por ser um retrato fidedigno da vida. A felicidade não dura sempre, as desilusões acontecem mas, tal como Stoner, todos nós continuamos a viver a vida, apesar de por vezes não nos sentirmos assim tão extraordinários. Se Stoner pode ser uma personagem principal, qualquer pessoa pode.

Apesar da narrativa não ter grandes surpresas (atenção que tem algumas), penso que é um livro que se lê bastante bem e que acaba por passar muito rápido. Acompanhamos a vida de Stoner à medida que ela se desenrola, numa época histórica que menciona acontecimentos importantes para a história da humanidade, nomeadamente as duas Grandes Guerras. É preciso ter atenção que estamos perante uma perspectiva americana que se inicia em 1910 quando Stoner tem dezanove anos e começa o seu primeiro ano na Universidade do Missouri. Tendo em conta que a personagem acaba por viver até cerca dos sessenta e cinco anos, Stoner vive e ensina durante os anos da Guerra e de todas as alterações que daí advém mas a perspectiva histórica e real no livro surge apenas como referência, afecta alguns aspectos mas não é uma força motivadora em si para a personagem.

O que motiva Stoner então? Ser professor. Se há algo de fascinante, tanto em relação à personagem como ao livro, é a forma como a vida académica é apresentada. A forma como Stoner fica fascinado pela literatura, algo que mal conhece antes de entrar na faculdade, bem como todas as referências feitas a grandes obras literárias e aos seus autores é maravilhoso de ler e algo com que muitos de nós se podem identificar porque também já sentimos esse fascínio e muitas vezes ainda o sentimos. Penso que este é o factor que mais me fez simpatizar com Stoner e com o livro no geral. Quando tudo o resto pode parecer estranho e difícil de compreender e quando a sua vida está a passar por uma fase menos boa, pelo menos algo traz felicidade e um sentimento de plenitude a Stoner: Estudar, obter conhecimento e, eventualmente, tornar-se num bom professor. É notório que o facto do próprio John Williams ter sido professor tem um papel crucial e podemos até pensar até que ponto é que Stoner não é um auto-retrato, pelo menos na vida profissional.

Assim Stoner de John Williams é um livro que prima pela história de um homem que se dedicou sobretudo a viver uma vida que é feita de altos e baixos mas com a qual ele tentou ser feliz e fazer o melhor que podia. Para mim fica um retrato de um homem que podia ser qualquer outro ou tantos outros. Não demasiado extraordinário mas ainda assim único. O incomparável William Stoner cuja paixão por literatura e pela universidade marcou toda uma vida.

★★★★☆

Ms. Brightside

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