REVIEW | The Girl on the Train, Paula Hawkins

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Título: The Girl on the Train
Autor: Paula Hawkins
Ano de Publicação: 2015
Sinopse: Rachel takes the same commuter train every morning. Every day she rattles down the track, flashes past a stretch of cozy suburban homes, and stops at the signal that allows her to daily watch the same couple breakfasting on their deck. She’s even started to feel like she knows them. “Jess and Jason,” she calls them. Their life—as she sees it—is perfect. Not unlike the life she recently lost. And then she sees something shocking. It’s only a minute until the train moves on, but it’s enough. Now everything’s changed. Unable to keep it to herself, Rachel offers what she knows to the police, and becomes inextricably entwined in what happens next, as well as in the lives of everyone involved. Has she done more harm than good? (fonte)

The Girl on the Train, a estreia de Paula Hawkins no mundo literário, é considerado um dos thrillers recentes com mais sucesso. Hoje em dia está a ser promovido em practicamente todas as livrarias e está, talvez há semanas, no top dos mais vendidos.

Ainda antes do livro se tornar tão popular eu já tinha curiosidade para o ler, por isso, pedi-o emprestado e digo-vos que o terminei em três/quatro dias. Normalmente sou pessoa para dedicar uma semana ou um pouco mais a um livro, quer este esteja escrito em português ou em inglês, porque gosto de ir com calma. Só que, por vezes, o ritmo não depende mim, depende totalmente do autor e das suas personagens e The Girl on the Train, que li em inglês, é exemplo disso mesmo.

Um ponto forte deste livro é a sua escrita bastante apelativa. Lê-se muito bem e, na minha opinião, rapidamente. Quando damos por nós já passámos a página cento e cinquenta e não sabemos bem como mas continuamos na mesma. Nisso Paula Hawkins mostra que é muito boa a manter o leitor com ela e com as personagens, o que é um factor de extrema importância. Quer dizer não é qualquer autor que nos pode fazer pensar: Será que eu sou assim? Será que quando vou no comboio isto também me pode acontecer?

As três perspectivas principais que narram pertencem a três mulheres diferentes: Rachel, Megan e Anna que nos levam até às suas realidades, aos seus dramas, aos seus problemas e às suas rotinas. A narrativa é sempre contada na primeira pessoa, à vez, por uma destas mulheres e penso que o livro ganha muito à partida só por isso porque temos mulheres a narrar. Mulheres que não são perfeitas nem idealizadas e que, sinceramente, fazem muitas asneiras. Por vezes umas atrás das outras. Eu não chegaria ao ponto de lhes chamar heroínas mas gosto muito de viver num tempo e numa realidade em que há cada vez mais livros escritos na perspectiva de mulheres que são credíveis e que é possível imaginar como pessoas reais.

Claro que existem personagens masculinas, algumas são até maridos, mas eles acabam por ter um papel mais predominante a partir do meio da narrativa. Os homens estão sempre presentes, de uma forma ou de outra, mas só quando a verdadeira natureza humana de cada pessoa (mulheres incluídas) começa a ser revelada, é que eles ganham uma outra relevância que pode até ser meio assustadora, intimidante e violenta.

Através das personagens e das relações entre elas, o livro toca certos temas que são pertinentes como o alcoolismo, a traição e o adultério, a perda de um filho, o ser a “outra”, o sentir que se vive uma vida falhada e, talvez o mais assustador, descobrir a verdade sobre uma pessoa que amamos e julgamos conhecer bem.

Hawkins vai tecendo uma narrativa em que tudo está intimamente ligado desde os acontecimentos até às referências a datas e alturas do dia, pelo que recomendo a quem vá ler este livro: prestem atenção aos timings de tudo. Não precisam de agradecer. A importância disto prende-se com o mistério, sobre o qual vão sendo dadas pequenas pistas que fazem todo o livro mover-se como um comboio que vai a alta velocidade e do qual, a certa altura, é impossível travar ou sair na próxima estação.

Claro que o mistério propriamente dito não escapa muito à regra: alguém desaparece e é encontrado morto. Existem vários suspeitos, sendo um deles o do costume e quase cliché (o marido, claro). No entanto não é por ter um crime “típico” que o livro perde em demasia porque ao mesmo tempo que nos aproxima da verdade sobre o culpado e o que aconteceu, a narrativa consegue ficar mais escura e com a sensação de beco sem saída ou de que estamos prestes a saber algo terrível e irreversível.

Apesar disso terminei o livro a pensar que não é surpreendente no seu desenrolar. Antes do final propriamente dito e das explicações dadas, já eu tinha uma ideia e acertei. Não que isso seja mau, senti-me muito bem e um tanto quanto Sherlock Holmes mas prefiro surpresas totais ou mesmo daqueles plot twists fatais ou impróprios para cardíacos. Tirando alguma previsibilidade, encontrei outro problema: é muito difícil simpatizar ou até sentir alguma empatia com as personagens. Eu sei que as elogiei acima na questão da representação de homens e mulheres mas quando me tento focar nos carácteres e acções, é-me difícil gostar de alguma delas. Eu percebo-as, até certo ponto, mas todas parecem tão presas nos seus ciclos viciosos que se tornam retratos humanos que eu me recuso a aceitar de imediato. Não podemos ser todos assim e mesmo que isto pareça ingénuo, deixem-me estar se não se importam. Peço-vos.

Gostava de concluir dizendo-vos que não, The Girl on the Train não é a nova ou a próxima Gone Girl. Não sei se ouviram esta comparação mas eu vi-a algures antes de ler o livro de Hawkins e só vos aviso para não criarem expectativas nesse sentido porque sairão furadas. Sim, alguns aspectos podem eventualmente ser vistos como parecenças mas isso não é o suficiente, na minha opinião. Gillian Flynn é uma coisa e Paula Hawkins é outra. Flynn tem o seu mérito e escreveu três livros absolutamente brilhantes (além de Gone Girl, por favor leiam Sharp Objects e Dark Places) e Hawkins está a dar os primeiros passos mas parece-me bastante promissora.

Por outras palavras: A Amy Dunne é o 80 e a Rachel, Megan e Anna o 8. Sim as 3 juntas são o 8. Porquê? Porque Amy Dunne só há uma. A sério.

Não obstante este facto, recomendo-vos que leiam The Girl on the Train se estão curiosos. É no geral um bom livro e espero que a Paula Hawkins nos traga mais, estou confiane nas capacidades dela para fazer melhor e para criar algo que seja dela e que não seja imediatamente comparado a algo que já existe ou foi feito. Além disso, as minhas viagens de comboio nunca mais serão iguais. Irei ter sempre aquele feeling de “E se?”, portanto obrigada Sra Hawkins.

★★★☆☆

Ms. Brightside

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