REACTING TO | Carol Trailer

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O mais recente filme de Todd Hayes (Far From Heaven, I’m Not There) ainda não estreou para o público, mas fez um furor enorme no Festival de Cannes e arrecadou o prémio de melhor actriz para Rooney Mara (The Girl With The Dragon Tattoo) e o Queer Palm, para além de receber uma tremenda ovação no final do screening no mesmo festival e a nomeação para a Palme d’Or. O trailer saiu no início desta semana e ainda não consegui vê-lo de uma maneira calma e objectiva, por isso, depois de carregar uma quantidade embaraçosa de vezes no play, desisti de encontrar a minha serenidade. Ou sanidade.

“What’s your name?”
“Therese.”
“Therese Belivet.”
“And yours?”
“Carol.”

Baseado no romance The Price of Salt de Patricia Highsmith e adaptado para o grande ecrã por Phyllis Nagy, Carol, com uma Nova Iorque dos anos 50 como pano de fundo, é uma história sobre um amor impossível que floresce inesperadamente e luta contra todos os obstáculos que encontra à sua frente. Therese Belivet (Rooney Mara), uma jovem rapariga de 20 anos, é uma funcionária num armazém de Manhattan que deseja uma vida mais satisfatória e menos monótona. Esse seu desejo acaba por chegar na forma de Carol Aird (Cate Blanchett), uma mulher encantadora, presa num casamento infeliz que depressa descobre as agonias do divórcio. O que inicialmente não é mais que um encontro inofensivo, transforma-se numa relação profunda de compreensão e paixão entre as duas mulheres. O filme irá seguir este relacionamento desde a primeira troca de olhares, que espero ser tão arrebatadora como no livro, embora estupidamente melosa, passando pela atribulação do divórcio que põe em causa a competência de Carol como mãe e uma viagem pelos Estados Unidos que, mais do que um simples escape à sociedade que as oprime, surge como uma descoberta do próprio ser, tanto para Therese como para Carol.

Impossível negar que a razão do meu interesse pelo filme advém da leitura da obra literária este ano e ter-se tornado numa das favoritas. Porém, qual ciclo interminável, foi recomendado quando saíram noticias de que o filme iria ser feito e quem iria fazer parte do elenco. Normalmente não aprecio este género de influência nas personagens que ainda vou conhecer e imaginar, mas desta vez não fiquei aborrecida, uma vez que, para além de encaixarem perfeitamente, deu-me ainda mais vontade para ler e ser absorvida pela prosa de Highsmith. O problema não seria encontrar a Therese certa, mas sim a Carol capaz de fascinar e seduzir milhões de pessoas.

Embora reconheça e tenha apreciado bastante o seu desempenho em The Girl With The Dragon Tattoo (Noomi Rapace continua a ser a minha Lisbeth Salander de eleição), sempre fui bastante indiferente a Rooney Mara. Ou melhor, nunca segui a sua carreira de uma forma afincada, nem tenho tomado a devida atenção para formar uma opinião em termos do trabalho geral da actriz. Ao ver o trailer acredito que será a Therese que acompanhei durante dois dias de leitura, pois tem o ar inocente e sonhador certo que a personagem requer. Se as cenas que mostram forem algo em que posso basear-me para o filme todo sem sair desiludida, Mara não só capta a personalidade de Therese muito bem, como também mostra o quão fascinada ela está com Carol, embora tente não transparecer no que acaba por ser uma ânsia e desejo recentemente descobertos.

Todd Hayes pode falhar redondamente na sua adaptação cinematográfica de Carol, na essência do que a autora da obra original tinha intenção de transmitir, mas se há alguma coisa em que acertou e mal tinha iniciado a produção foi na escolha da sua Carol Aird. Cate Blanchett (Blue Jasmine, Elizabeth) é indubitavelmente Carol. O minuto de vídeo e as stills mostram como a actriz consegue transmitir a graciosidade, delicadeza e o charme de Carol que escondem a luta interna por que esta passa desde o momento em que conhece Therese e redescobre a felicidade e tenta arranjar a solução certa para todos os problemas que essa felicidade acarreta no seu seio familiar e social. Nem vou negar as emoções que continuam a assolar-me no momento em que Blanchett surge no trailer a acender o cigarro com os maneirismos de Carol que tanto cativam Therese, seguida do primeiro verso de My Foolish Heart. Beware my foolish heart, indeed. Vamos sair todos da sala de cinema apaixonados, mais um vez, pela espantosa Cate Blanchett.

Por mais romântico e cliché que o enredo possa parecer há que ter em consideração a época em que este se encontra, em que a obra original foi publicada e, consequentemente, a importância que este livro terá tido para os casais homossexuais da altura que escondiam parte da sua identidade durante a maior parte do tempo. E contrariamente ao que se possa pensar terá a mesma importância no mundo de hoje que continua a viver cego às verdades da condição humana e que parte dele ainda precisa de gritar por uma representação correcta. Tendo em conta a pouca filmografia LGBTQ nas correntes mainstream que corresponda ao parâmetro anteriormente referido, entre muitos outros (quem é que começou com essa ideia de que todos os filmes acabam sempre em uma das partes morta, deprimida ou separados?), há uma grande expectativa em torno deste filme.

Para além da aclamada e duplamente galardoada nos prémios da Academia, Cate Blanchett e a já nomeada, Rooney Mara, o elenco conta com a participação de Kyle Chandler, Jake Lacy e Sarah Paulson.

Para mal dos meus pecados Carol (ainda) não tem data de estreia para Portugal, mas caso saia o euromilhões até essa altura podemos marcar bilhetes para dia 20 de Novembro nos EUA. O filme terá a sua premiere no BFI London Film Festival a 14 de Outubro.

Roslin

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