Literatura e o Mundo Digital

Ou 5 Razões Para Escolher Ebooks , 3 Para Escolher Livros e Um Grande “Que Raio Isso Interessa Desde Que Leia” Ao Mundo

A eterna luta. Esta discussão já deu e continua a dar pano para mangas e ninguém chega a conclusões. Ou será que não há conclusões a chegar? Temos duas escolas de pensamento: as pessoas que apoiam os livros digitais e são acusadas de não apreciar a literatura no seu verdadeiro sentido e as pessoas que apenas lêem livros físicos e são chamadas de puristas e de não quererem avançar com os tempos. Eu estou aqui no meio, com uma bandeira branca, proprietária orgulhosa de prateleiras cobertas de livros (e pó), posicionados nas mais variadas maneiras de modo a retirar o maior proveito do espaço, e de um Kobo Aura com um cartão de 32GB, protegido de riscos e possíveis quedas por uma capa roxa linda vinda directamente da Escócia. Não tenho qualquer tipo de autoridade para falar, simplesmente aprecio as duas formas de ler e compreendo (até certo ponto) cada lado da equação. Isto, bem, roubando descaradamente as palavras de Will Graham que tão cedo nos abandonou com o seu namorado canibal, “this is my design”.

A piada é que comecei este post quando dei por mim a ter dificuldades em ler The Name of the Wind de Patrick Rothfuss, uma das maiores obras do género de Fantasia do momento. Ênfase na palavra “maiores”, uma vez que pode ainda não ter o mesmo número de livros da saga A Song of Ice and Fire do estimado George R. R. Martin, mas os leitores/seguidores já são muitos e os livros têm uma quantidade significativa de páginas para o seu tamanho pocket e a sua fonte de tamanho reduzido. Por isso, não. Não estou a ler esta obra pela qual esperei imenso tempo e que o widget tão orgulhosamente exibe no lado esquerdo desta página. Está a mentir com todo o código HTML que tem, porque eu, leitora destemida que grita aos sete ventos “quanto maior, melhor”, não estava a ajeitar-me com o livro.

Vamos tirar uma coisa a limpo antes de iniciar as divagações: sou adepta de tecnologias. Digo ser algo que está no meu sangue, intrínseco no meu ser. Porquê? Já olharam bem para a quantidade de avanços tecnológicos que a primeira fornada dos anos 90 teve de levar em cima? Mal houve tempo para respirar! Ainda ontem usava o Windows 98 e agora estou a habituar-me ao 8.1. O meu primeiro telemóvel que só o queria por causa do jogo do Snake e que trabalhava melhor que o meu chamado Smarthphone (Slowphone, digamos). A minha Playstation 1 de design horrível mas com uma carrada de memórias está guardada e agora vejo crianças com uma Playstation Qualquer-Coisa de um lado para o outro, sem saberem o que foi um GameBoy Color roxo transparente, causador de acidentes contra postes no meio de passeios. Esta última parte até devem ser capazes de entender. Se disser que houve uma altura em que a internet e o telefone estiveram ligados e que era uma confusão danada para manter uma ligação estável não vão acreditar. Disquetes? Não quererás dizer o botão save do Word? A magia criada pelas mãos humanas. É maravilhoso observar isto tudo. É uma roda viva.

“Artoo”, em homenagem a R2D2: Kobo Aura

Ora, isto é importante porquê, perguntam vocês. Porque sem estas ideias que nós seres humanos temos para melhorar a nossa curta estadia neste mundo e a dos nossos descendentes, neste momento ainda os pobres padres estariam a escrever livros de uma forma que mais semelhanças tinha com a arte da pintura, a máquina de prensa (ou impressão) não teria sido inventada, Gutenberg nunca teria sido famoso e livros como os conhecemos hoje não existiam. Sim, essas coisas que teimam em espalhar por todos os cantos e que tanto defendem. Algo me diz que no século XV estavam todos a ter esta mesma discussão.

Não pensem que estou aqui a pregar um sermão em como as tecnologias são a melhor invenção de sempre e que todos devíamos esquecer os livros em papel. Longe de mim tal ideia. Cresci com livros, adoro-os desde as histórias que contam até à decoração que oferecem ao meu quarto. Preciso é que haja compreensão e aceitação na escolha que as pessoas fazem visto terem essa oportunidade e deixarem de acusar os livros digitais como o “fim dos livros”. É só outra plataforma.

É rara a semana que não apareça no meu feed do Facebook (essa outra coisa inventada para comunicar e ninguém andou por aí a defender os telemóveis ou o pobre MSN Messenger) um novo estudo acerca das alterações na leitura, consequência desses malfadados ereaders, e como ler livros é mais vantajoso, espalhando teorias em como as pessoas memorizam menos aquilo que lêem quando escolhem o digital ou que o nível de concentração não é igual. Primeiro, não há necessidade de atacar a minha memória. Meio mundo já sabe o quão má é, incluindo professores que corrigiam os meus testes. Lembram-se dos oradores da Grécia Antiga, abençoados por Mnemosine, que contavam à população os poemas de Homero sobre guerras, cavalos e Deuses intrometedores no destino dos Homens? Eles também foram perdendo a memória dessas histórias que sabiam de trás para a frente quando a escrita foi inventada e puderam anotar tudo para a prosperidade. Chama-se facilitar a vida, utilizar o cérebro para outras coisas igualmente importantes e, se não o tivessem feito, ninguém no século XXI podia pedir à deusa para cantar sobre a “cólera funesta de Aquiles que tantas dores causou aos Aqueus” (ou algo do género). Além de que esta actividade de contar histórias não se perdeu. E a concentração depende da pessoa, do estado psicológico em que se encontra, e não do formato em que lê. Têm noção de quantos livros parei de ler por não conseguir concentrar-me? Gosto especialmente quando dizem que ler num ereader impossibilita a convivência com outro leitor que podia reparar no que estamos a ler e comentar, mas que já não o faz porque não vêem a capa! Não sei onde estas pessoas vivem, mas há anos que leio em transportes públicos e nunca ninguém veio ter comigo para falar do livro que tenho na mão, embora eu já tenha tido vontade de fazê-lo quando apanhei leitores de A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón. Ou tenho ar de antipática, ou ninguém lê o mesmo que eu, ou simplesmente são pessoas simpáticas que também elas estão a ler, a agarrar-se à própria sanidade antes do dia de trabalho, e não querem incomodar os poucos momentos de descanso que uma pessoa tem antes de um dia de faculdade. “Estudos”, entendem?

É toda esta superioridade dada aos livros físicos e aos seus leitores com o único intuito de criar confusão que tem de ser erradicada ou acabamos todos por esquecer o que realmente interessa no meio disto tudo. A relação de livro/leitor e o porquê de, passados tantos anos, continuarmos a pegar em volumes e volumes de árvores (ebooks são ecológicos!) e lê-los de ponta a ponta. O importante é a leitura, o que esta transmite e a participação activa do leitor, porque não é só o autor que necessita de ter uma imaginação fértil e um “certo jeito” com as palavras; o leitor tem o trabalho de recriar o que está a ler na sua mente de modo a retirar o máximo que conseguir do livro e, consequentemente, melhorar a sua experiência com o mesmo. Os livros, desde o primeiro instante, requerem uma relação de partilha, seja ela entre autor/leitor ou leitor/leitor, e é isso o essencial para se tornarem vivos e importantes na vida das pessoas e, por mais chocante possa ser para os mais puristas, também é possível fazer isso com livros digitais.

Fico frustrada com estas ideias porque sei que daqui a umas boas décadas ou séculos, alguém irá estar com um gadget todo avançado nas mãos a rir destas discussões, tal como nós fazemos com Gutenberg e a população que estava contra ele e que provavelmente o culpavam de heresia. Ou seja, em vez de estarmos preocupados com assuntos graves e que requerem a devida atenção, andamos aqui, quais galinhas tontas, a cacarejar acerca de algo que foi posto em movimento desde que descobrimos o fogo ou escrevemos em pedra. Evolução. A não ser que esteja ou vá magoar alguém, perguntem como funciona e experimentem. Podem ser surpreendidos. E não se preocupem que os livros físicos vão continuar entre nós durante muito tempo, por isso não há qualquer problema em não gostarem ou não se entenderem com os digitais.

Mas vamos por partes. Como tenho a oportunidade de experimentar o que é melhor dos dois mundos, deixo aqui uma lista de razões que me fazem adorar ambas as formas de ler. Basicamente, I take everything!, desde que me deixem sossegada com os meus dragões. Ou naves espaciais. Ou provas de crime. E sei que não sou a única.

EBOOKS

Peso.
Livros grandes. Livros de capa dura. Têm os dois o mesmo problema que se torna em um maior caso estejam as duas características juntas: fazem um peso enorme na mala que, mesmo sabendo que acarretam histórias e mundos fantásticos, se torna desconfortável. Livrólicos gostam de ter sempre um livro à mão quando vão sair e estão cientes da possibilidade de haver uma oportunidade, por mais pequena que seja, de uns minutos livres para ler. O inconveniente é se estiverem a ler Anna Karenina e mais parece que estão a passear com a Biblía nas mãos, a tentar converter as pessoas de porta em porta (flashbacks do secundário!). Sem esquecer os livros infinitos para levar de férias. Praia é bom, mas com um universo à espera de ser explorado até ao ínfimo detalhe é melhor. Não é que pocket books não façam a mesma coisa, mas livrólicos costumam ser esquisitos com as suas edições, especialmente com séries, ou a fonte utilizada é pequena demais, e mesmo assim, parecendo que não, dez livros já começam a pesar numa mala cheia de roupa. Com um ereader andamos para trás e para a frente com mais de 300 livros e pesa sempre o mesmo, tenham estes 100 ou 1000 páginas.

Espaço.
Para mal da população terráquea (porque não sei como os extraterrestres lidam com isto), livros para além de pesarem ainda ocupam espaço. Se continuarmos a utilizar o exemplo anterior, Anna Karenina é um livro grande e não cabe em qualquer mala que uma pessoa tenha. Ou cabe e não metemos mais nada lá dentro. Quem é que precisa de carteira e telemóvel, am I right? Portanto, fica a escolha de levar o livro na mão (algo nada prático se querem que vos diga), apenas lêem em casa* (e morrem de aborrecimento em viagens de comboio e metro tentando espreitar o livro do passageiro ao lado) ou têm mil e uma malas para os diversos tamanhos de livros (e a árvore das patacas nasce no meu quintal). Ou! Temos um ereader, gadget pequeno que cabe em qualquer lugar numa mala de tamanho normal. Que tal? O mesmo sucede em viagens de longa duração, isto é, férias. Pessoalmente não costumo ler muito nas férias de verão. Ora porque quero fazer imensas coisas e o tempo escasseia ou a família importuna todo o santo segundo. Todavia, há quem aprecie ir para um recanto do mundo descansar durante umas semanas onde o único e principal problema é escolher o livro que se quer ler. Pois bem, antes desse problema surge a questão do espaço para roupa e divertimento. Uma mala para cada coisa é demasiado trabalho (e peso) e não se pode levar só o pijama. Já sabem qual é a solução, certo? E mais, caso decidam passear e acabem numa livraria, assim como quem não quer a coisa, há um recanto na mala onde encaixa um ou dois livros novos.

* Há quem consiga ler dois livros ao mesmo tempo e o truque torna-se ler o mais pequeno fora e o grande em casa. Admiro quem consegue fazê-lo.

Posição.
Nem vamos negar que um dos grandes problemas dos “livrólicos” é arranjar uma posição que dure mais de cinco minutos, não cause dores de costas ou braços e que permita a mudança de páginas sem muito aparato. Para não falar da possibilidade de comer e beber ao mesmo tempo que se lê sem ter de usar os cotovelos ou pacotes de bolachas para manter o livro aberto. Ao fim de mais de vinte anos ainda não encontrei uma posição que englobe estes aspectos todos. Até que comprei o meu Kobo. Um dos meus locais favoritos para ler é na cama e com um livro físico é uma luta constante que inclui todos os problemas acima indicados. Agora basta deitar-me confortavelmente e partilhar a almofada com uma aparelho super leve, o qual consigo segurar durante um tempo indeterminado e que permite uma boa leitura mesmo virado com o ecrã de lado. Comer? Segurar com uma mão, esticar o dedo para virar a página e comer com a outra ou pousar na mesa e comer sem medo que o livro se feche e sentir o pânico de encontrar o local exacto. Não é que não faça bem um pouco de musculação, mas quando estou a ler gosto de apreciar essa actividade sem sentir que estou a fazer esforço físico.

Dinheiro.
Toda a tecnologia é cara, logo o Kobo é caro. A decisão de compra é feita através de prós e contras em que a compensação do dinheiro gasto inicialmente é a régua medidora. Outra coisa que é cara são os livros. Não, a sério. Já olharam bem para as vossas estantes lindas e pensaram nas fortunas que aí têm? Normalmente um livro em português custa entre 15€ a 20€. Se quiserem ler a trilogia de O Século do Ken Follett preparem-se para desembolsar uma quantia perto dos 30€ por cada volume. Percebem onde quero chegar?

A Internet pode ter imensos aspectos negativos, mas é uma das melhores invenções do ser humano, pois permite a partilha de todas as obras alguma vez feitas e, com um bocadinho de paciência, as que saíram há pouco tempo. Os clássicos que as faculdades pedem e que custam os olhos da cara (mesmo tendo um lugar especial no meu coração, ainda choro o dinheiro que gastei para as aulas de Cultura Clássica) nunca foram tão fáceis de encontrar. O que não faltam são sites com essas ofertas e o melhor? Grátis! E sem qualquer problema com possíveis funcionários da polícia. Agora, antes que este discurso borde naquilo que é considerado uma ilegalidade antes de tempo e do qual sou bastante culpada, caso queiramos estar de bons modos com a lei, os ebooks são mais baratos que os objectos que compramos nas livrarias. A própria Kobo* tem uma biblioteca variada, embora pouco possa falar dela porque não utilizo, e que o utilizador pode aceder com facilidade. Mas se forem como eu e queiram realmente poupar e outras línguas, maioritariamente o inglês, não são impedimento, passam para o lado negro da força. Ou seja, a velha técnica do download acusada por muitos de ser a pior praga para os direitos de autor, ou como eu gosto de chamar, o choro que as editoras fazem por não receberem mais dinheiro que aquilo que já têm e porque a técnica de dividir livros e pedir 20€ por cada um não resultou. Esquecem-se que as pessoas na realidade não abandonam o livro físico ou, caso pudessem, dariam dinheiro directamente ao autor para escrever mais, porque vá, se não for um bestseller e apenas o Zé/Maria ali da esquina, também não vão ganhar assim tanto.

Em suma? Quem saiba inglês e não se importe de praticar e tenha um ereader basta fazer uma pesquisa rápida, clicar num botão e, boom!, fez-se o Chocapic. Outra coisa que compensa é termos os livros ali à mão de semear de uma maneira quase imediata e não seja necessário sair, gastar gasolina ou dinheiro em transportes, e, no final, gastar tempo que queremos passar a ler. (Isto leva à questão do browsing que mencionei mais abaixo).

* Acho que ando a tratar o objecto como masculino e a empresa como feminina. Não faço ideia se está correcto.

Settings.
Temos o básico de aumentar e diminuir texto conforme a nossa necessidade visual, mas depois temos a minha parte favorita para além do óbvio. Embora já não seja tão picuinhas como era num passado (ainda) próximo, o Kobo permite-me sublinhar e escrever anotações sem estar preocupada em estragar o livro. Melhor ainda, é mais fácil encontrar aquela frase que gostámos muito e sublinhámos num ereader do que procurar folheando um livro inteiro. É um problema que agora reparo imenso e que me faz suspirar até Marte.

Andar com um ereader é como andar com um dicionário ambulante. Podemos ser muito proficientes no inglês, francês ou até mesmo na nossa língua que tanto trabalho dá a imensas pessoas, mas há sempre uma palavra que atormenta a leitura. Com um livro temos de esperar até chegar a casa, lembrar-nos quando chegamos a casa ou levantar da posição confortável que acabámos de encontrar. Com o Kobo é só seleccionar a palavra e escolher a opção dicionário e temos uma tradução para português ou os seus sinónimos na língua em que se está a ler. A quebra da leitura a que estamos habituados e que deixa qualquer um chateado deixa de existir. Posso parecer super preguiçosa, mas quem disser que isto não ajuda está a mentir.

Kobo Aura e um livro assemelham-se em muitos aspectos, especialmente no ecrã não-espelhado que permite ler sem estarmos a ver a nossa própria cara, ou seja, não ler. Sabem onde o Kobo é melhor que os livros? Tem luz própria cujo brilho pode ser alterado para aquilo que mais apreciamos, podemos apagá-la quando deixa de ser necessária e não fere a vista ou causa dores de cabeça (para sempre furiosa com o meu tablet). Ler à noite nunca foi tão fácil e confortável.

LIVROS

Fisicalidade.
Até agora tenho acreditado que Cicero disse “a room without books is like a body without a soul”. Depois de alguma pesquisa percebo que o autor desta famosa frase foi considerado como anónimo, uma vez que tornou-se impossível decifrar a sua identidade. Contudo, the point still stands. Quem não gosta de entrar numa casa e ver imensas prateleiras cheias de livros de várias cores e tamanhos dispostas nas paredes? É algo que dá personalidade a qualquer divisão e faz qualquer visitante sentir-se acolhido. Uma mesa de sala com um livro em cima parece convidar a pessoa a sentar-se e a descobrir o seu interior, apela à conversa com o anfitrião. Mal sei explicar este sentimento. É quase magia. O livro digital, por mais prático que seja, é um pedaço de plástico com um cartão de memória lá dentro, solitário numa prateleira vazia de conteúdo. Não traz brilho ou enche uma divisão da casa. É levar o estilo minimalista ao máximo.

Browsing.
A experiência “livrólica” vai além de ter livros espalhados por todos os cantos da casa. Quem gosta de livros normalmente aprecia uma visita a qualquer livraria onde possa abrir as obras, folhear durante uns minutos, talvez ler um ou dois capítulos, voltar a pôr o livro na prateleira e passar ao próximo. É quase como conhecer novas pessoas e passar um tempo a conversar para saber algo sobre elas, excepto, neste caso, é uma conversa em silêncio entre um objecto inanimado que esconde uma história e nós, eternos curiosos, a querer descobrir os seus segredos. Livrólicos são os Indiana Jones das livrarias e o formato digital ainda não proporciona este género de aventuras da mesma forma, pois somos só nós e um pedaço de tecnologia. Acaba por não haver aquela ligação com o livro nas próprias mãos porque têm todos o mesmo tamanho, tipo de letra, espessura de folhas, etc. Não há nada como estar rodeado de livros, novos ou velhos, bons ou maus e sentir o ambiente que milhões de páginas repletas de conhecimento e divertimento oferecem, poder esticar o braço e conseguir entrar em diversas viagens enquanto esperamos pelo amigo com quem combinámos um café. Um simples passar o dedo por diversas lombadas até chegar a um livro que suscita interesse é uma aventura pelo desconhecido que desperta os leitores. O facto das livrarias já optarem por colocar poltronas ou uma sala de leitura nas suas lojas atrai ainda mais clientes a esta actividade e torna-se bastante difícil sair

Bateria.
Em defesa do meu companheiro Artoo, a sua bateria dura imenso tempo. Consegui ler dois livros de seguida utilizando a luz em intervalos de tempo e ainda sobrou para ler mais um, caso estivesse para aí virada. Por outro lado, também já apagou durante um diálogo entre Granny Weatherwax e Nanny Ogg que me deixou frustrada. Estava a divertir-me, ó Chico Esperto! Se tivesse um livro de papel na mão isto não teria acontecido e nem teria de esperar que a bateria carregasse. Quem é que inventou cabos curtos?

books-vs-ebooks (3)

Questionei ao início se haveria conclusões a chegar. A única conclusão que tiro é que não. Vivemos num mundo de eterna mudança. Não faz sentido tentar parar o imparável, de outra forma mais vale morrermos sem imaginação num estado vegetativo contra a nossa natureza. Vivemos num mundo que permite aos seus cidadãos escolher o que preferem, o método que mais se adequa a si e atirar-se de cabeça no mundo da literatura, a sexta arte, um dos melhores escapes da realidade inventado pela Humanidade e que, ao mesmo tempo, nos prende a este mundo para uma maior compreensão de nós próprios e daqueles que nos rodeiam. Literatura, seja esta em papel ou pixeis, cria empatia. Torna-nos Humanos.

Entretanto The Name of the Wind sairá da estante currently reading do Goodreads e regressará à to read. Prometi ler com uma amiga e começo a pensar se essa não terá sido a verdadeira razão por não ter conseguido ler. Karma! Ha! Não deixa de ser uma boa desculpa para divagar sobre isto.

Não acham que o melhor motto a seguir é: lê e deixa os outros lerem? Eu também.

Roslin

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3 thoughts on “Literatura e o Mundo Digital

  1. Adorei o texto! identifiquei-me por completo! sendo eu um “jovem” nascido a meio dos anos 80 só já me lembro de tecnologia nos anos 90, com o meu primeiro video VHS (woohooooo) e o meu nokia 3310 com o snake. Ainda não sou um utilizador destes maquinismos ebook (ainda ando com o livro debaixo do braço) mas não ponho de parte ter um :)

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    1. Obrigada! Isto de leres o texto gigante e ainda sentires qualquer tipo de identificação deixa-me bastante contente.
      Esqueci-me das cassetes VHS e a minha falta de capacidade para rebobinar! Quando era pequena achava todo o processo que permite voltar a ver o filme fascinante (depois claro que estraguei “A Bela e o Monstro”, mas isso são outros detalhes).
      Um dia quando sentires necessidade e os pontos que mencionei começarem a fazer (ainda mais?) sentido para ti. Acho que, além de serem gadgets todos fofinhos que chamam a atenção dos adoradores de tecnologias e permitem o contacto com obras literárias, a compra deles passa um bocado por isso. Entretanto, boas caminhadas com o livro debaixo do braço! ;)

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      1. Eu estraguei a minha cassete de Jurassic Park com os “rebobinansos”, fiquei muito triste na altura. Se adquirir um ebook (adoro gadgets) partilho aqui essa informação até porque os meus livros de Game of Thrones, enquanto os lia, não eram nada meigos :)

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